Está claro que nunca fui um blogueiro assíduo, um postador voraz...
Em 2014 bati um recorde e não escrevi absolutamente nada aqui (rs!).
Mas em compensação escrevi a maior postagem da minha vida até agora (que, na verdade, foi postada no acervo digital da Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes da USP): minha dissertação de mestrado em música!
Que jornada! Que travessia! Atravessei esse rio caudaloso!
E Heráclito dizia que é impossível entrar duas vezes no mesmo rio. Sim, porque à segunda vez você já não é o mesmo, tampouco o rio.
Uma realização assim não é decorrente de mérito meu, força minha.
Toda a energia vem do Criador.
A Ele eu agradeço a travessia... e também a possibilidade de futuras correntes mais fortes e emocionantes!
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
domingo, 28 de outubro de 2012
Música
Música não sou eu. O que importa na música não sou eu. Eu sou só músico, e o que importa mesmo é a música.
A música não deve servir para que eu prove alguma coisa a alguém. Eu, músico, é que devo, com a música, servir a Alguém.
Pensar
Acontece algumas vezes de eu me perder dentro da minha cabeça. Caminhos de pensamento dentro da minha cabeça... fazem curvas, dão voltas...
Isso acontece porque eu penso. Penso bastante. E acho isso bom.
Sei que há muita gente que não pensa, não reflete. Isso me deixa triste. Não sinto orgulho porque penso mais do que muita gente... não. Fico triste.
Também sei que muitas vezes é preciso parar de pensar... e fazer!
Mas mesmo assim, é bom pensar.
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
O sentido da vida
A sabedoria, que possibilita o relacionamento certo com o próximo e consigo mesmo...
O ser com D-s, Criador, nosso Pai, de onde vem a sabedoria e a salvação para nós, seres humanos...
É de uma música a serviço disso que eu quero viver.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
o CD
"Senhor,
Eu cheguei a isso.
O Senhor me deixa fazer uns sons...
Tanto em mim é Teu...
Acho que os sons não devem se perder.
E se eu puder mostrar isso, acho que pode ser bom..."
...
Umas palavras de uma reflexão minha... que explicam praticamente tudo sobre o "meu disco"... e assim vou tornando pública aqui um pouco da "saga" que pode ser fazer o tal disco.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Uma crônica do Vinícius
Uma mulher chamada guitarra
Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo. Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.
Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se a suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: a mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiares que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer "passado na cara" por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.
Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos seus mais antigos ascendentes se chama viola d'amore, como a prenunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado — contra o peito — lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça-a vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.
Ponha-se num céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim, com seus tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem, só o violão é capaz de ouvir e de entender a Lua.” – Vinícius de Moraes
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